PADRÕES DO BUSINESS MODEL GENERATION

December 3, 2019

 

 

Alguns modelos de negócios possuem características similares, os quais são denominados de padrões. Estes podem se repetir em tipos de negócios e indústrias completamente diferentes, o que quer dizer é que algumas empresas possuem o mesmo padrão.


O conceito de padrões não deve servir para engessarmos nossa maneira de pensar e de criar novas empresas.Por isso, evite utilizar os padrões como verdades absolutas nas quais você deve tentar enquadrar sua empresa. Você verá que novos padrões podem surgir derivados de outros em uma constante metamorfose.


Alexander Osterwalder descreve em seu livro cinco padrões diferentes. São eles:


1) EMPRESAS DESAGREGADAS (unbundling)
2) CAUDA LONGA (long tail)
3) MULTI-FACES (multi-sided platforms)
4)
GRATUITO (free)

5) ABERTO (open)

 

Vamos compreendê-los e conhecer alguns exemplos a seguir:

 

O MODELO DE EMPRESAS DESAGREGADAS (UNBUNDLING)

 

Unbundling é um padrão que nasce da compreensão de que uma empresa pode possuir três focos: relacionamento com clientes, inovação de produtos e infraestrutura. Em grandes empresas, os três podem coexistir, formando um modelo complexo que necessita de grandes recursos para funcionar corretamente.


Por exemplo, uma empresa de telecomunicações como a TIM possui um grande foco em infraestrutura, pois necessita de muitos recursos tecnológicos para manter seus clientes felizes com um serviço capaz de entregar voz e dados em qualquer lugar dentro de sua área de atuação. Ela também precisa de foco em relacionamento, pois o grande volume de clientes precisa de atendimento e suporte via um grande call-center capaz de compreender cada necessidade ou problema de seus clientes e entregar uma resolução em pouco tempo.


Sem foco em inovação de produtos a TIM ficará rapidamente para trás, por isso precisa evoluir rapidamente migrando de tecnologias 2G para 3G e, em breve, para 4G. Seus pacotes de dados e pacotes de voz precisam evoluir conforme a necessidade de seus clientes que, cada vez mais, viajam pelo mundo precisando manter sua conectividade.

Ou seja, é um enorme esforço para manter vários modelos de negócio dentro de um só. Por isso, é importante frisar que o padrão de empresas desagregadas (unbundling) só é suportado por grandes empresas. Não tente fazer isso em casa com sua start-up.

 

 

O MODELO CAUDA LONGA

 

É um modelo que se baseia em oferecer uma grande quantidade de produtos de nicho que vendem individualmente pouco, mas que, no seu total, geram alta receita. É um modelo que só é possível na internet, pois necessita de uma plataforma que disponibilize um substancial
volume de produtos que possam ser facilmente acessados por milhares de clientes.


Outro aspecto importante é que empresas que usam esse modelo devem evitar custos de estoque que poderiam tornar o modelo financeiramente impossível. Por isso, a maior parte das empresas que utiliza esse modelo vende produtos digitais.


Um excelente caso de cauda longa é o da Lulu.com que é uma editora que permite que qualquer pessoa possa publicar um livro. Se você quer escrever um livro sobre como criar formigas africanas dentro de casa, não tem problema. Por meio de ferramentas online você insere o conteúdo, faz a diagramação, cria uma capa e disponibiliza seu livro online para outras pessoas comprarem. Elas poderão comprar uma cópia digital (em PDF) ou física que será impresso sob demanda por um parque de impressoras de baixo custo que a Lulu.com possui.


Não importa se o seu livro só vai conseguir vender apenas vinte unidades. O que importa é que ao permitir que qualquer um escreva um livro, milhares de tópicos que vendem poucas unidades representam um grande volume de vendas. E é exatamente esse o conceito do modelo de cauda longa.
Se você quiser compreender melhor sobre este modelo recomendamos a leitura do livro “A Cauda Longa”escrito pelo editor-chefe da revista Wired, Chris Anderson.

 

O MODELO MULTI-FACES

 

É um tipo de modelo em que dois diferentes segmentos de clientes coexistem e são interdependentes, pois a presença de um gera valor para o outro. Em alguns casos, não se cobra nada de um dos clientes como forma de atraí-los para então poder oferecê-los ao outro segmento. Uma piada atual diz o seguinte sobre esse modelo: “Se você não está pagando pelo produto, você deve ser o produto.”


Você já foi surpreendido com um jornal gratuito, de formato pequeno, enquanto estava andando na rua ou parado no sinal? Provavelmente, era uma edição do Jornal Destak (ou do Metro) entregue por um dos vários distribuidores espalhados pela sua cidade. Fala sério, nada mal receber um jornal compacto, fácil de manusear, com notícias fresquinhas e ainda por cima de graça, não é mesmo?!


É muito importante que se entenda que o Destak tem como foco de atendimento primário o leitor transeunte, ou seja, aquele que está em deslocamento. Por isso seu formato é adequado a esse tipo de público. Já o segmento secundário é o anunciante, quem de fato gera receita. E essa é a parte mais interessante: a oferta do jornal gratuito é o fato responsável pela oferta de valor ao anunciante que paga. Esse tipo de negócio no qual dois segmentos são atendidos simultaneamente e são interdependentes é conhecido como multi-faces e também é utilizado pelo Google.

 

O MODELO GRATUITO

 

É o modelo em que uma empresa oferece um produto ou serviço gratuito continuamente como forma de atrair usuários. O modelo busca converter parte destes usuários em pagantes em troca de benefícios maiores (premium) do que os ofertados gratuitamente. Por isso, esse modelo também é conhecido como Freemium, resultante da junção das palavras Free + Premium.


O Dropbox revolucionou a vida dos usuários de computador no mundo todo ao oferecer um serviço de armazenamento de dados na nuvem, permitindo que sincronizassem e compartilhassem pastas entre diferentes dispositivos.


De acordo com seu fundador, Drew Houston, a idéia surgiu depois de várias vezes esquecer seu pen drive quando estudava no MIT. Ele começou a desenvolver uma tecnologia que resolvesse essa situação para si mesmo, mas depois percebeu que poderia beneficiar outros que tinham o mesmo problema.

 

O Dropbox opera no modelo conhecido como Freemium, semelhante ao Skype, Evernote e Pandora. Ele oferece uma conta gratuita de 2 GB e contas pagas de 50 GB, 100 GB, e uma conta de equipe de 350 GB. A conta gratuita e a conta paga são idênticas em todos os aspectos, exceto para a quantidade de espaço de armazenamento oferecido.

 

Fornecer contas gratuitas para usuários custa muito dinheiro para Dropbox, mas este é o seu custo de marketing, uma vez que a gratuidade é a grande responsável pela atração dos usuários.

 

O MODELO ABERTO

 

São modelos em que a oferta de valor vem em parte de parceiros / clientes externos à organização. Podemos dizer que ele é equivalente ao crowdsourcing ou ao marketplace - modelos que abordaremos mais para frente.


Imagine que você é presidente de uma grande indústria farmacêutica que gera lucros a partir de descobertas científicas de novas fórmulas de medicamentos. Você destina montantes massivos de dinheiro para sua área de P&D (pesquisa e desenvolvimento) para manter os laboratórios e um time renomado de pesquisadores. Entretanto, você está limitado à quantidade de recursos e ao número de cientistas que possui.

 

Mas agora imagine que da noite pro dia um site permitisse que você tivesse acesso a milhares de cientistas ao redor de todo o mundo, sem ter que pagar salários fixos e ter laboratórios para todos eles ao mesmo tempo. O Innocentive.com é um site que traz exatamente esse milagre. Através de uma plataforma online você pode lançar desafios (ex: descobrir uma enzima que seja capaz de quebrar moléculas de proteína para tratar um tipo
específico de câncer) oferecendo prêmios de alto valor (porém ainda mais barato do que ter vários cientistas contratados). Se um cientista encontrar a solução, pronto! Você paga o prêmio e aproveita a solução para gerar novos medicamentos que irão render muitos milhões em faturamento.


Esse é o conceito do modelo aberto, valor gerado por quem esta de fora da empresa. Nesse caso, o Innocentive gera valor para a farmacêutica por meio de recursos que não fazem parte de sua estrutura, pois são cientistas que estão espalhados por todo o mundo.

 

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